Saúde e Bem Estar

Mais de 1 bilhão de jovens correm o risco de perder a audição, aponta OMS

Comportamento de risco entre crianças e adultos está entre as principais causas de danos à saúde auditiva; especialista dá dicas para evitar problemas de audição ao longo da vida

Um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que mais de 1 bilhão de jovens no mundo podem sofrer com problemas de audição devido a comportamento de risco, como a exposição prolongada e excessiva à música alta, entre outros tipos de sons recreativos. Além da saúde auditiva em si, a OMS alerta que os prejuízos dessa condição podem afetar a saúde física e mental.

A especialista em audiologia e fonoaudiologia, Tatiana Guedes, reforça que, ao contrário do que muitos pensam, o risco para a saúde auditiva não é um problema que surge apenas com a idade. “A perda auditiva pode ocorrer em qualquer momento da vida, desde o nascimento, passando pela infância, fase adulta até o momento em que nos tornamos idosos (presbiacusia)”, cita.

Tatiana esclarece que as principais causas de prejuízos para a audição incluem a perda auditiva congênita ou de início precoce, como em casos de infecções crônicas do ouvido médio, perda auditiva induzida por ruído, perda auditiva relacionada à idade e o uso de medicamentos ototóxicos que danificam o ouvido interno. “Na maioria desses casos, podemos minimizar ou até mesmo evitar que a deficiência aconteça”, diz.

Cuidados ao longo da vida

Independentemente da idade, Tatiana ressalta que alguns cuidados devem ser colocados em destaque todos os dias. “Tudo começa com a realização do pré-natal, com o intuito de diminuir os impactos na saúde do bebê de doenças como rubéola, toxoplasmose e sífilis. Depois, temos a triagem auditiva neonatal que pode detectar e intervir precocemente nas perdas auditivas. Além disso, as campanhas de vacinação das crianças são fundamentais contra doenças como sarampo, meningite e caxumba que podem ter como consequência a perda de audição”, afirma.

Em casos de infecções no ouvido, Tatiana ressalta que o tratamento médico é indispensável e durante a rotina algumas outras dicas não devem ser deixadas de lado. “No dia a dia, não utilize hastes flexíveis para limpar o ouvido. Além do risco de perfurar a membrana timpânica, a cera é uma proteção e não deve ser retirada sem orientação médica. Evite também a exposição a sons altos e música, incluindo o uso do fone de ouvido com volume elevado. Tenha cuidados com a sua saúde e faça o controle de doenças crônicas como pressão alta, obesidade e diabetes. Em tais casos, a redução da capacidade auditiva se dá pela diminuição da circulação sanguínea do ouvido”, conta.

Outro hábito importante é a utilização de equipamentos de proteção individual (EPI) para os ouvidos, principalmente no ambiente de trabalho quando exposto a sons de alta intensidade. “Por fim, e não menos importante, faça a realização anual da audiometria, o exame utilizado para avaliar a audição”, orienta.

Teste da Orelhinha

A especialista ainda reforça que a perda auditiva não tem idade, ou seja, em qualquer fase, a saúde deve ser avaliada e os cuidados seguidos à risca. Por isso, atualmente, a Lei Federal nº 12.303/2010 obriga a realização do exame conhecido como “Teste da Orelhinha” em todos os hospitais e maternidades do Brasil. “O Teste da Orelhinha é realizado antes do bebê receber alta da maternidade, por volta do 2º ou 3º dia após o nascimento. As crianças nascidas fora do ambiente hospitalar devem fazê-lo o mais rápido possível, sendo o ideal antes de completarem um mês de vida”, orienta.

Por se tratar de uma triagem, Tatiana diz que o resultado do exame não é considerado conclusivo, mas é de extrema importância para seguir com os próximos passos. “A partir dele, serão realizados exames complementares para o diagnóstico preciso da perda auditiva. Quanto mais precoce for o diagnóstico, mais rápido será iniciada a intervenção e, consequentemente, mais próximo do normal será o desenvolvimento da criança”, indica.

Fonte: Tatiana Guedes Santólia Martini, Fonoaudióloga, CRFa 6-3289. Sócia e diretora clínica da SONORITÀ Aparelhos Auditivos. Especialista em Audiologia, com vasta experiência em Seleção, Indicação e Adaptação de Aparelhos Auditivos.

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